16 de Agosto – Mais Barcos Pelo Rio Amazonas

Chegamos a Almeirim ansiosos para obter informações sobre os barcos. Fomos direto ao porto e começamos a falar com o pessoal. A recomendação era ficar próximo ao porto para conversar com os respectivos capitães assim que as embarcações chegassem. Ficamos em uma pousada em frente ao porto e a partir das 6 da manhã, lá estávamos nós na varanda olhando o movimento. Quando víamos um barco chegando, corríamos lá para conversar com o capitão.

Fizemos isso diversas vezes, pois recebíamos respostas negativas ou o barco estava descendo o rio e não subindo. Começamos a ficar aflitos e tememos ter que voltar o percurso por terra até Macapá e, pior ainda, ter que pegar a balsa até Belém novamente. No domingo, dois dias depois, chegou a balsa Ana Maria. Conversamos com o Mestre logo cedo e, por sorte, conseguimos um espaço para nós e o Snoopy. Que alívio!

Essa balsa rendeu mais estórias para contar . . . Era um barco bem diferente da plataforma que pegamos anteriormente, pois esse levava passageiros e tinha espaço para carga/veículos. O barco estava lotado, uma rede em cima da outra e pessoas levando de tudo. Tinha desde bagagem pessoal até porco, fora cebola, batata, milho, soja, queijo e os veículos na frente com milhares de isopores cheios de peixe, camarão e açaí dentre eles. Quando você achava que não cabia mais nada entrava mais gente e coisas nas diversas paradas!

Além disso, às vezes, durante o percurso, os barquinhos menores se aproximavam e sem nem um nem outro pararem, passavam a “carga” (que às vezes incluíam até os filhos!) para a balsa e o barquinho ia embora. Tudo muito rápido e eficiente, se é que posso dizer assim!

No final do dia, começamos a ver lugar para colocar nossas redes, mas todo cantinho estava lotado. Conversamos com o Mestre, e por sorte ele nos ajudou. Após manobrar um dos carros, conseguimos abrir nossa barraca e pudemos passar as duas noites nela. Porém, para ir ao banheiro no meio da noite era um labirinto entre redes . . . coisa de louco!

O café da manha começava às 6h00 com um fósforo ascendendo a churrasqueira! Isso mesmo, no cardápio carne assada (porco, boi, carneiro) seguido de um filé de peixe, tudo acompanhado de farinha e tucupi (o molho de pimenta local). Para nós, nessas condições, a coca-cola substituiu o café preto! Foi bem diferente e estava uma delícia, mas não conseguiríamos fazer isso todos os dias!

Quanto à entrada e saída dos veículos, não havia rampa ou estrutura alguma, o barco simplesmente encostava-se à lateral e após o pessoal colocar umas ripas de madeira o desembarque começava. Enquanto os carros estavam manobrando, tinha um monte de gente entrando e saindo da balsa . . . uma loucura só. Mantivemos a calma e quando chegou a vez do Snoopy descer verificamos as ripas e tivemos que colocar pneu e pedras embaixo da madeira para dar mais suporte. Respiramos fundo, engatamos a ré e desembarcamos.

Vimos Santarém e fomos conhecer Alter do Chão, onde ficamos uns dias curtindo e esperando a data de saída do nosso próximo barco até Manaus. Dessa vez, fomos a bordo do Catamarã Rondônia, saindo de Santarém e chegando a Manaus em três dias.

O trajeto em si foi mais tranquilo, pois acabamos conseguindo um camarote onde pudemos relaxar e trabalhar um pouco. Mas, o embarque foi interessante da mesma forma. Fomos os últimos a embarcar e após várias horas aguardando pacientemente, quando achávamos que era nossa vez, chegou um caminhão com mais de dois mil abacaxis para embarcar. Demorou mais de uma hora, pois os abacaxis estavam soltos então eram embarcados um a um! Após alguns ajustes no barco e diversas manobras apertadas, finalmente deu tudo certo e o Snoopy estava a bordo.

Passamos rapidamente pelo encontro das águas entre os rios Tapajós e Amazonas e seguimos viagem, fazendo algumas paradas no caminho. Cada parada levava em torno de três horas, pois haviam desembarques e carregamentos a serem feitos, e sempre com pessoas embarcando coisas uma a uma. Em algumas paradas, tivemos até que tirar o Snoopy do lugar para que pudessem tirar a mercadoria necessária.

Quando chegamos a Itacoatiara, pela manhã, descobrimos que seria melhor para nós desembarcarmos lá mesmo e seguirmos para Manaus por terra do que por água. Dessa forma chegamos a Manaus no final da manhã e não no final do dia, já escurecendo, como previsto.

Tivemos distintas experiências pelo rio e todas foram muito interessantes e marcantes. Podemos dizer que conhecemos bem melhor a vida no Amazonas tanto quanto o seu povo, inclusive os ribeirinhos. Sem dúvida, esse trecho da viagem nos marcou muito e lembraremos sempre da nossa passagem por aqui!

1 comment to 16 de Agosto – Mais Barcos Pelo Rio Amazonas

  • Tonico

    Fiquei agosto, setembro, outubro e novembro acompanhando vcs até chegar o momento dos relatos sobre belém e Marajó. Me decepcionei e ainda tive que ler ” o pior, ter que voltar de balsa para Belém”. BOA VIAGEM PRA VOCÊS!!!

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